Um jovem indígena identificado como Dorivan Guajajara, de 28 anos, pertencente ao povoado Guajajara da Terra Indígena Arariboia, foi encontrado morto e esquartejado no município de Amarante, no Maranhão, a 638 km de São Luís, nesta sexta-feira (13).

As informações foram veiculadas nas redes sociais da liderança indígena Sônia Guajajara, coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). “Mais um crime brutal contra o povo Guajajara! Dorivan Guajajara da TI Araribóia em Amarante foi brutalmente assassinado a facada. Todas as pessoas que não gostam de nós estão se sentindo autorizadas a matar porque sabem que a impunidade impera. É hora de dar um BASTA!”, declarou Sônia.

Segundo as suspeitas da polícia, o crime aconteceu na localidade Vila Industrial, e teria sido motivado pela suspeita do envolvimento da vítima com o tráfico de drogas. Além de Durivan Soares, um homem reconhecido como Roberto do Nascimento Silva, de 31 anos, também foi assassinado com golpes de faca durante a festa que acontecia na região.

O tenente-coronel Jorge Araújo Júnior, comandante do 34º Batalhão de Polícia Militar de Amarante, informou que as investigações do caso já estão em andamento, e que, até o momento, os autores do crime ainda não foram identificados e localizados. O militar informou ainda que o Instituto Médico Legal (IML) já está tomando as providências cabíveis em relação aos corpos das vítimas.

Índio Guajajara é morto e esquartejado em Amarante – MA

Esta é a 4° morte de índios da etnia Guajajara que ocorre no Maranhão em menos de dois meses. A Fundação Nacional do Índio (Funai) se manifestou sobre o crime através de nota e lamentou a morte do indígena.

Confira na íntegra:

“A Funai lamenta a morte do indígena Dorivan Soares Guajajara, residente na TI Arariboia, e mais conhecido como Cabeludo. Ele estava em companhia do não-indígena Roberto do Nascimento Silva, o Crioulo. A Funai acompanha o caso junto às instituições de Segurança Pública, garantindo que as investigações respeitem toda a legislação alusiva aos povos indígenas. Segundo a polícia, o caso ocorreu na Vila Industrial do município de Amarante, Maranhão, e estão descartadas todas motivações de crime de ódio, disputa por madeira ou por terras. A Funai coloca-se à disposição para contribuir com o que estiver no limite de suas atribuições e aguarda mais detalhes do caso conforme a evolução do trabalho dos órgãos competentes pela investigação.”

Casos mais recentes

Em 2019, outras três mortes aconteceram em um período de menos de um mês após mais de um ano sem assassinatos de indígenas no Maranhão. Os três casos que estão sendo investigados pela Polícia Federal apresentam características de emboscada.

O primeiro caso foi registrado em uma na Terra Indígena Arariboia, na região de Bom Jesus das Selvas, no dia 1º de novembro. Neste confronto morreram o líder indígena Paulo Paulino Guajajara e o madeireiro Márcio Greyuke Moreira Pereira. O indígena Laércio Guajajara, primo de Paulino, ficou ferido. Paulino fazia parte dos “Guardiões da Floresta”, grupo que atua no monitoramento e combate à exploração ilegal dentro das TIs. A PF investiga o caso e disse que vai divulgar a conclusão do inquérito nos próximos dias. A principal linha é que a morte tenha sido causada pela disputa territorial com madeireiros, que exploram a área de forma ilegal.

Líder indígena Paulo Paulino Guajajara

Outro caso de mortes de indígenas foi no último sábado (7), entre as aldeias Boa Vista e El Betel, na Terra Indígena Cana Brava, no município de Jenipapo dos Vieiras, em um trecho da BR-226. Um dos índios sobreviventes, Nelsi Guajajara, contou que os disparos partiram de um carro branco contra os índios que seguiam de moto pela rodovia federal.

No ataque foram mortos os caciques Firmino Silvino Guajajara e Raimundo Bernice Guajajara, além de outros dois índios que foram atingidos e levados para Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município de Jenipapo dos Vieiras, onde estão em recuperação. A Polícia Federal também investiga o caso, mas disse que os trabalhos caminham sob sigilo.

Cacique Raimundo Bernice Guajajara

No último domingo (8), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão ligado a Igreja Católica, emitiu uma nota sobre os ataques nas aldeias guajajara. “Tais crimes, contanto ainda com atentados, ameaças, tortura e agressões ocorridas por todo país contra essas populações, têm acontecido na esteira de discursos racistas e ações ditadas pelo governo federal contra os direitos indígenas”, escreveu a instituição.

Nesta quarta-feira (11), a Força Nacional chegou na Terra Indígena Cana Brava. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a medida tem como objetivo garantir a integridade física e moral dos povos indígenas, dos servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) e dos não índios.

A Força Nacional também irá contribuir com as ações da Polícia Federal e atuar na fiscalização da BR-226. A operação deve durar 90 dias, mas pode ser prorrogada.

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