O policial militar Carlos Eduardo Nunes Pereira, acusado de matar a esposa e um suposto amante no último sábado (25), no bairro Vicente Fialho, localizado na capital, será autuado por feminicídio.

A informação foi confirmada pela delegada do Departamento de Feminicídios, Viviane Fontenelle. “Contra o homem, ele será autuado por homicídio. Mas, em relação a mulher, sem dúvidas foi crime de feminicídio”, afirmou a delegada.

De acordo com informações policiais, Carlos Eduardo chegou mais cedo em casa na tarde de sábado e encontrou a esposa, Bruna Lícia, junto com outro homem, identificado como José Willian. Depois disso, o policial efetuou sete disparos de arma de fogo contra os dois, que morreram no local.

Depois do duplo homicídio, Carlos Eduardo entregou a arma do crime para o tio, que é sargento da Polícia Militar, e foi encaminhado para a Superintendência de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP).

Em depoimento, Carlos Eduardo disse que viu Bruna Lícia e José Willian tendo relação sexual na cama do casal e que houve luta corporal antes dos disparos. A Polícia Civil investiga o caso, mas, por enquanto, não acredita na possibilidade de luta entre os envolvidos.

Bruna Lícia foi sepultada durante a tarde do último domingo (26), em São José de Ribamar, região metropolitana de São Luís.

Repercussão e Notas de Repúdio

Algumas entidades divulgaram notas repudiando a violência do caso. A primeira a lançar nota foi o Fórum Maranhense de Mulheres, que utilizou as redes sociais para divulgar o repúdio nas primeiras horas da manhã de segunda-feira (27).

Confira a nota na íntegra emitida pelo Fórum Maranhense de Mulheres:

FEMINICÍDIO E O ATO COVARDE DO ASSASSINO DE BRUNA ALICIA

Mais uma mulher vítima de feminicídio, desta vez foi Bruna Alícia uma jovem de pouco mais de 20 anos, assassinada de forma cruel, torpe, violenta, pelo seu marido. A crueldade se faz mais monstruosa ainda em virtude da forma como estão sendo veiculados matérias sobre o caso nas redes sociais. Grande parte delas destruindo a imagem da vítima, que passa a ser responsabilizada pela sua morte. Que é isso? Em que mundo estamos? Ainda estamos vivendo na idade média? Porque as mulheres continuam sendo vítimas desta cultura patriarcal que nos oprime e nos reduz a um órgão sexual que tem como finalidade apenas procriar e dar prazer aos homens, ao marido em especial.

Bruna Alícia está sendo destruída na sua moral e na sua integridade de ser humano. Mesmo sendo violentamente assassinada, ainda assim, não está sendo vista com humanidade que todo cristão merece. Sua morte não lhe dá paz, sua morte é justificada por um possível adultério que teria praticado.

Com esse argumento o assassino, seus amigos e uma parte da sociedade conservadora, machista, patriarcal e misógina, explica e justifica sua morte. “Foi merecida” dizem alguns e algumas que passam a inocentar o feminicida, naturalizando o crime hediondo praticado por este policial. O mais cruel de tudo isso é a lista que circula nas redes de amigos do assassino fazendo vaquinha para contratar um advogado para livrar este bandido da cadeia que merece.

Com esse tipo de prática os policiais demonstram o quanto são coniventes com a violência praticada contra as mulheres e o feminicidio. É surpreendente esta atitude, onde se viu uma coisa dessas, uma corporação estimulando a impunidade.

Nós, mulheres, que integram O FÓRUM MARANHENSE DE MULHERES, protestamos! Queremos justiça! Queremos uma policia preparada e não policiais desequilibrados que não sabem controlar seus impulsos assassinos.

Ainda na manhã desta segunda-feira (27), a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Maranhão (OAB-MA), por meio da Comissão da Mulher e da Advogada (CMA/MA), também emitiu uma nota de público contra os crimes.

Leia a nota de repúdio na íntegra:

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Maranhão, por meio da Comissão da Mulher e da Advogada – CMA/MA, vem a público repudiar mais um crime de feminicídio e homicídio ocorrido no Estado.

Nesse sábado (25), mais uma mulher foi assassinada por seu companheiro, passando a integrar as estatísticas do crime de feminicídio do Estado. Em 2019, foram registrados 48 casos. Um aumento se comparado ao ano anterior, 2018, com 43 feminicídios. Em que pese viver-se no Século XXI, mais uma mulher é vítima da violência extremada que assola a nossa sociedade.

O feminicídio é a triste consequência do machismo alicerçado na naturalização de comportamentos, que fazem pessoas acreditarem que diferenças sexuais respaldam superioridade de um gênero sobre o outro. A vida humana é feita de dissabores e escolhas. Violência não é solução, tampouco justificativa para as frustrações vividas.

Diante tamanha atrocidade, não seremos complacentes com tamanho desrespeito à dignidade da pessoa humana e banalização da vida. Logo, REPUDIAMOS, de forma veemente, o ato brutal cometido pelo policial militar que tem direito à defesa e a um julgamento justo, assim como REPUDIAMOS todos os posicionamentos de culpabilização da vítima e que incentivam o julgamento e opressão do gênero.

Expressamos nossa solidariedade às famílias das vítimas, na certeza de que a justiça será feita, assim como da continuidade do combate às violências que depreciam o viver em sociedade.

Comissão da Mulher e da Advogada da OAB/MA

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