Até este sábado (15), a população do bairro Cidade Operária e adjacentes estarão recebendo as ações do Projeto “Não Morra, Maria da Penha”, realizado pela 2ª Vara da Mulher de São Luís e órgãos da Rede de Proteção à Mulher, com diálogos na comunidade e panfletagem nas ruas.

No último domingo (9), voluntários do projeto percorreram a feira do bairro alertando sobre os direitos das mulheres, a importância da denúncia e do combate à violência doméstica e familiar.

 Na segunda-feira (10) o grupo visitou a delegacia, a Unidade de Pronto Atendimento, escolas e igrejas do bairro e ontem, aconteceu o Seminário “Não Morra Maria da Penha”.

Para Sandra Silva, do Fórum Maranhense de Mulheres, e moradora do bairro, a iniciativa é de fundamental importância para levar as informações da Rede porque muitas mulheres não sabem nem onde fica a Casa da Mulher Brasileira, muito menos os serviços que são oferecidos lá.

“Essas mulheres não tem acesso a essas informações, não sabem a que tem direito e nem a quem recorrer quando sofrem violência doméstica. O que acontece na comunidade quando ela apanha do homem? Ela sai na rua correndo com os filhos, alguma vizinha dá abrigo e depois, quando tudo se acalma, ela acaba retornando para casa, para a mesma situação. Essa mobilização serve para informar o que ela pode fazer, para onde ela deve ir. Nós da comunidade estamos formando essa corrente de união, de proteção à mulher”, disse Sandra.

A dificuldade de acesso a essas políticas públicas está muito ligada à questão financeira. Segundo Sandra, a mulher que é vítima de violência às vezes não tem o dinheiro da passagem, não pode se deslocar porque não tem com quem deixar os filhos e nisso, acaba se acostumando ao ciclo da violência.

“Esse projeto vai fortalecer essa rede de atendimento e vai despertar nelas a violência que estão passando. Muitas delas nem tem discernimento que se trata de violência doméstica. Elas acham que isso é normal entre o casal, acabam naturalizando a violência e só vão perceber isso daqui a algum tempo quando se tornar mais grave. Por isso é importante esse projeto em um bairro como a Cidade Operária que tem histórico de violência contra a mulher”, declarou a voluntária.

Nas ações do projeto os homens também são informados e orientados sobre a violência doméstica. “Não adianta falar só para as mulheres, mas para os homens também para que acabe essa cultura machista, para que isso seja plantado e que acabe essa cultura opressora e agressiva com as mulheres. A gente observa violência doméstica do nosso lado, mas por mais que demos orientações, informações, para algumas mulheres ainda é um processo difícil, denunciar, pedir ajudar. Mas a gente acredita nesse trabalho que pode não dar resultado agora, mas para as próximas gerações, sim”, lamentou Sandra.

Voluntários falaram sobre os direitos da mulher e importância da denúncia

Programação com seminário e palestra

Na programação da última quarta-feira (12) aconteceu o Seminário “Não Morra, Maria da Penha”, no Centro Educacional São José Operário (avenida principal da Cidade Operária), com a palestra “A violência de gênero contra a mulher e a cultura do machismo”, ministrada pela Delegada Geral das Delegacias Especializadas da Mulher, Kazumi Tanaka.

No encerramento da semana, neste sábado (15), será realizado o “Dia da Mulher Cidadã”, com a oferta de vários serviços na Praça do Jardim América, com a participação da 2ª Vara da Mulher de São Luís e carretas da Defensoria Pública, CEJUSC, Mulher e Procon.

O projeto “Não Morra, Maria da Penha” é uma promoção da 2ª Vara da Mulher de São Luís e parceiros institucionais para fortalecer a Rede de Proteção à Mulher com a estratégia de busca ativa de mulheres em situação de Violência Doméstica e Familiar em São Luís e Bacabal.

A iniciativa é da juíza da 2ª Vara da Mulher de São Luís, Lúcia Helena Barros Heluy e do servidor José William Ferreira da Silva, da comarca de Bacabal.  As ações serão levadas ainda a 12 bairros, além da Cidade Operária.

Violência

A Organização Mundial da Saúde coloca o Brasil no 5º lugar dos países que mais matam mulheres no mundo no contexto doméstico e familiar, o que implica afirmar que as mulheres estão morrendo dentro de casa pelos seus atuais e ex-companheiros e cônjuges.

No Maranhão, levando-se em conta o período compreendido entre 2006-2016, o número de homicídio de mulheres aumentou 137,3%. No ano de 2018, foram registrados 43 casos de feminicídio no estado, em 2019 foram 48, e em 2020, 1 caso confirmado e 5 em investigação, segundo informações do Departamento de Feminicídio.

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