Na última sexta-feira (28), o Ibama informou que o volume de óleo visualizado próximo ao navio que está encalhado na costa da capital maranhense, o Stellar Banner, chegou a 333 litros, tendo o poluente se espalhado numa área de 0,79 km².

A quantidade de óleo foi calculada a partir de dados dos sensores de detecção da aeronave Poseidon, que fez um sobrevoo no local em que está o navio.

Ainda na sexta-feira (28), o Navio de Apoio Oceânico (NApOc) “Iguatemi” chegou na região onde o Navio Mercante “STELLAR BANNER” está encalhado para operar em coordenação com os rebocadores presentes na área desde o início do ocorrido.

Além do navio (NApOc), uma aeronave (UH-15), do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Norte, está no local desde a última quinta-feira (27). A Marinha do Brasil também enviou o Navio Hidroceanográfico “Garnier Sampaio” para área de ação.

Uma reunião foi realizada pela Marinha do Brasil com representantes da Vale S.A, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), AR-DENT GLOBAL, Gerência Ambiental do Porto do Itaqui e Agentes Marítimos

O objetivo foi manter tratativas sobre as ações desenvolvidas e definir um plano para realização de mergulho na localidade, visando mensurar a extensão dos danos ocorridos na altura dos tanques de lastro, localizados na proa do navio.

De acordo com a equipe especializada contratada pela empresa responsável pelo navio, os demais tanques da embarcação estão intactos. A casa de máquinas está seca e os motores de geração de energia estão em funcionamento.

Estão sendo coletados dados para o inquérito administrativo, no intuito de apurar causas, circunstâncias e responsabilidades do incidente.

Barreira de proteção

A barreira de proteção possui mais de mil metros

Já neste sábado (29), após o vazamento detectado pelo Ibama na última sexta-feira (28), uma barreira de proteção com mais de 1000 metros foi colocada ao redor do navio Stellar Banner, que está encalhado a cerca de 100 quilômetros (km) da costa do Maranhão, conforme informado pelo coordenador de atendimento a emergências ecológicas Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marcelo Amorim.

De acordo com o coordenador, a medida faz parte de uma série de ações para evitar um desastre ambiental caso haja vazamento em grande escala do óleo armazenado dentro do navio.

“Todas as ações preventivas estão sendo planejadas e os recursos disponibilizados para que, se ocorrer um vazamento, as empresas possam dar a melhor resposta o mais rápido possível”, disse Amorim durante coletiva para tratar das ações.

O representante do Ibama disse ainda que os 333 litros de óleo, avistados na última sexta-feira (28), são residuais e que uma vistoria constatou que os tanques da embarcação estão intactos, a casa de máquinas do navio está seca e os motores de geração de energia estão em funcionamento.

“O que foi detectado foram pouco mais de 300 litros do que chamamos de resíduos oleosos, esse material foi carregado quer seja pela chuva, quer pela água do mar e se encontra na superfície da água. É uma camada muito fina”, disse o coordenador.

“A melhor prática no mundo para esta situação se chama dispersão mecânica, que é quando se utiliza a própria embarcação para que o óleo se quebre em partes menores e seja mais fácil de ser naturalmente absorvido por bactérias que se alimentam do petróleo no mar”, acrescentou Amorim.

Marcelo Amorim (IBAMA)

Durante a coletiva, o comandante do 4º Distrito Naval, vice-Almirante Nilton de Almeida Costa Neto, disse que está em elaboração um plano para reflutuar o navio. A medida envolve, entre outras ações a retirada do óleo combustível que está nos porões da embarcação e parte do minério.

Ainda não há uma data para a realização da operação, que está sendo construída em conjunto com a marinha, o Ibama a empresa Polaris, proprietária da embarcação e a Vale, que abasteceu o navio com o minério.

“A primeira carga que provavelmente vai sair é a de óleo para evitar qualquer tipo de contaminação e a parte do minério vai ser retirada conforme a necessidade para que o navio possa reflutuar, as vezes não há necessidade de se retirar todo o minério”, disse o comandante Costa Neto.

Riscos      

A Marinha e o Ibama ainda não descartam o risco vazamentos no navio. Atualmente, a embarcação segue encalhada e com cerca de 290 mil toneladas de minério de ferro, além de quatro milhões de litros de combustível e óleo. Se houver vazamento, todo o material pode se espalhar pelo litoral.

“O ideal é que se façam estudos que tenham com precisão os reais riscos da embarcação. Mas, independente disso, são tomadas todas as providências de forma preventiva. Então nós já temos um estudo de modelagem, para onde esse óleo pode bater, chegar na costa, caso venha a acontecer um incidente. E já deixar disponível os equipamentos de proteção a essas áreas sensíveis”, afirmou Marcelo Amorim, coordenador de atendimento de emergência ecológica do Ibama.

Sobre o risco de naufrágio, a Marinha afirmou que o risco é pequeno, mas não é impossível. Há, atualmente, quatro rebocadores na região para agir em caso de emergência.

Proprietária do navio tem histórico ruim

O navio Stellar Banner é de propriedade da empresa sul-coreana Polaris Shipping. Essa empresa é a mesma responsável pelo Stellar Daisy, embarcação que naufragou no Oceano Atlântico em 2017, após ter sido carregado no Terminal Marítimo da Ilha de Guaíba que pertence a mineradora, na Ilha de Guaíba, no Rio de Janeiro.

Stellar Daisy naufragou com 260 mil toneladas de minério de ferro da Vale

Buracos na estrutura do Stellar Banner

O navio Stellar Banner tem capacidade para 300 mil toneladas de minério de ferro e possui 340 metros de comprimento, o equivalente a quase quatro campos de futebol.

A embarcação foi abastecida pela Vale e saiu do Terminal Portuário da Ponta da Madeira, em São Luís, com destino a um comprador em Qingdao, na China.

Segundo a Capitania dos Portos, o navio apresentou ao menos dois locais com entrada de água nos compartimentos de carga por volta das 21h30 desta terça-feira (25) e começou a afundar no Oceano Atlântico. Uma fissura no casco pode ter sido a causa. O comandante do navio emitiu um alerta de emergência via satélite e levou a embarcação para um banco de areia.

A embarcação apresenta fissuras

Equipes da Capitania dos Portos e da Vale foram encaminhadas para o local e cerca de 20 tripulantes foram evacuados. Segundo a Marinha, todos permanecem em segurança na área a bordo de quatro rebocadores que foram enviados ao local.

A empresa Polaris Shipping, proprietária do navio, informou que todos os membros da tripulação estão seguros e que está realizando inspeções para evitar maiores danos.

“Como resultado do incidente, alguns tanques de água e espaços vazios sofreram danos, embora a extensão dos danos ainda deva ser estabelecida. Acredita-se que os porões de carga estejam intactos e a situação está sob controle. Com o intuito de melhor mensurar os danos e garantir a segurança, a embarcação foi movida para uma área mais segura. Inspeções serão realizadas por especialistas e uma empresa de resgate foi acionada”, diz a nota.

Já a Vale informou em nota que está atuando no caso com suporte técnico e que colabora com as autoridades marítimas.

“A Vale informa que tem empenhado todos os esforços e recursos para mitigar os possíveis impactos causados pelo incidente com o navio MV Stellar Banner, de propriedade e operado pela empresa sul-coreana Polaris. Entre as medidas de apoio técnico e logístico adotadas pela Vale nesta quinta-feira (27), em conjunto com as autoridades marítimas e ambientais responsáveis, estão: Solicitação à Petrobras da cessão de navios Oil Spill Recovery Vessel (OSRV) para contenção de eventual vazamento de óleo, pedido que foi prontamente atendido; Solicitação e obtenção junto ao Ibama, de forma célere, de devida autorização formal para o deslocamento das embarcações para a Costa do Maranhão; Contratação de especialistas em salvatagem, adicionalmente à empresa contratada pela proprietária e operadora do navio, para acelerar o plano de retirada do óleo da embarcação; Solicitação de boias oceânicas off shore, que podem servir preventivamente como barreiras de contenção adequadas para mar aberto, se necessário; Disponibilização de helicópteros para a movimentação de pessoal até o local”, afirma a empresa.

Investigação do caso

Um inquérito administrativo foi aberto para apurar as causas do acidente. A expectativa é que a análise das informações demore cerca de 90 dias.

“Nenhum acidente desta monta se estipula uma causa de imediato. O inquérito vai levantar todos os dados técnicos e as oitivas com todos os envolvidos que tiveram algum tipo de participação no incidente”, declarou o comandante Costa Neto durante coletiva.

O navio segue encalhado na costa maranhense

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