As imagens são impressionantes: em menos de 2 minutos, toda a estrutura de um verdadeiro “gigante do mar” é engolida no meio do oceano Atlântico, na costa maranhense.

A Marinha do Brasil já tinha confirmado a informação de que o Navio Mercante Stellar Banner não havia como ser reparado e, por isso, teria que ser afundado.

O afundamento ocorreu exatamente às 10h desta sexta-feira (12), de acordo com a nota emitida pela Marinha, por meio do Comando do 4º Distrito Naval (Com4oDN).

Apesar do momento crucial ter ocorrido de forma rápida, os procedimentos para que o afundamento fosse realizado se iniciaram às 5h e transcorreram, ainda segundo a nota da MB, como planejados e detalhados no Plano de Alijamento, aprovado pela Autoridade Marítima com anuência da Autoridade Ambiental.

A nota assegura que a fase de preparação para o afundamento ocorreu “em consonância com os pareceres da Sociedade Protection and Indemnity (P&I) e da organização ITOPF (International Tanker Owners Polutions Federation) que reúnem boas práticas mundialmente reconhecidas nas questões ambientais”, apresenta o texto.

Mancha preocupante

Assim que é afundado, o navio jorra líquido de cor marrom, que seria a mistura da água do mar com óleo e resíduos do minério de ferro transportados pelo navio graneleiro.

Na última quarta-feira (3), a Marinha Brasil já havia informado o encerramento da fase de retirada da carga, com remoção de cerca de 145 mil toneladas de minério de ferro.

De acordo com as autoridades marítimas, agora, após o afundamento, haverá monitoramento da área.

“O AHTS (Anchor Handling Tug Supply) Bear, o OSRV (Oil Spill Response Vessel) Água Marinha na contingência, o OSV (Offshore Support Vessel) Normand Installer e o Navio de Apoio Oceânico ‘guatemi’, da MB, permanecerão na área pelos próximos três dias, a fim de verificar possíveis objetos que por ventura se soltem do Navio e manchas de óleo na cena de ação”, diz o comunicado, que também informa participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), com a contratação da aeronave POSEIDON, que realizou voos nesta manhã e continuará no local pelos próximos dias.

A Capitania dos Portos do Maranhão também irá manter a fiscalização com as autoridades ambientais estaduais e federais.

Relembre o caso

O Stellar Banner encalhou no dia 24 de fevereiro de 2020, após sofrer avaria na proa, ao deixar o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (porto privado da Vale), em São Luís.

O problema ocorreu no canal de acesso ao porto, a 100 quilômetros do litoral. O destino da embarcação era a China. O navio é um mineraleiro do tipo Valemax, chamado de super navio ou “gigante do mar”; ele tinha capacidade para transportar até 300 mil toneladas de carga, segundo o site da Polaris, empresa sul-coreana responsável pela fabricação do navio.

A embarcação flutuava desde a noite de segunda-feira (1º). O Stellar Banner já teria percorrido alguns quilômetros do local onde ficou encalhado por mais de três meses, mas ainda permanecendo no território do Maranhão.

Na quinta-feira (4), com o navio já flutuando, mergulhadores inspecionaram a parte do fundo do navio. No dia seguinte, o relatório fotográfico subaquático da inspeção teria sido entregue ao Departamento de Portos e Costas. O documento comprovou que o casco, principalmente a proa, do Stellar Banner estava deteriorado.

No relatório, constaria que, pelo menos, três porões da embarcação estavam com problemas que afetavam diretamente as dimensões do navio; isto tornava a embarcação instável, capaz de emborcar quando sujeita a agentes externos. A situação seria tão grave que o destino dado ao Stellar Banner foi inevitável.

Cronologia

No dia 24 de fevereiro de 2020, o Stellar Banner encalhou. Três dias depois, 27 de fevereiro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) fez seu primeiro sobrevoo na região, e teria encontrado uma mancha de óleo.

Também no dia 27, foi confirmado pela Marinha do Brasil que os tripulantes, 20 pessoas, já tinham sido resgatados com segurança, e levados para a capital maranhense.

No dia 29 de fevereiro, o Ibama informou à imprensa que a mancha de óleo, de 333 litros, era do óleo residual na parte superior do navio e em vários equipamentos. Naquele dia, as embarcações ‘C-Sailor’ e ‘C-Atlas’ utilizaram radares e não foram identificados vestígios de óleo do navio na água. Ainda assim, a mancha se espalhou no entorno da embarcação, numa área de 800 metros. Segundo o Ibama, os tanques com 3,8 milhões de litros de combustível estavam intactos.

No dia 1º de março, uma equipe de mergulhadores começou a avaliar a extensão dos rasgos no casco do navio MV Stellar Banner.

No dia 11 de março, duas outras embarcações navegaram para a área onde está o Stellar Banner. Seriam elas: Bigua e Carmoran. A partir das 14h10 daquele dia, começou a ser feita a retirada do óleo combustível e diesel do navio Stellar Banner.

No dia 14 de março, teve início a operação de descarga do minério de ferro do porão nº 4 do navio chamado de MV Stellar Banner.

A remoção da carga de minério do Stellar Banner começou a ser feita no dia 16 de abril. Foram transferidas 3,5 mil toneladas para o batelão LEEUW, e despejadas na área de alijamento n° 4.

A balsa Superpesa II, que faria o restante do descarregamento, devido supostamente ter equipamentos velhos, apresentou problema e não teve como realizar a atividade, partindo para o Rio de Janeiro, sendo que ainda está a caminho do estado.

No dia 28 de abril, foi iniciado o descarregamento de minério de ferro no navio Alfred Oldendorff.

Na última quarta-feira (3), a Marinha do Brasil informou que encerrou a fase de retirada da carga do Navio Mercante Stellar Banner. Foram removidas 145 mil toneladas de minério de ferro, tendo sido iniciada a etapa de flutuação no dia 1º deste mês.

O navio estava encalhado desde 24 de fevereiro

Outro episódio foi o sobrevoo do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, na manhã do dia 4 de março, na área em que está encalhado o navio Stellar Banner.

Antes do sobrevoo, durante entrevista coletiva à imprensa de São Luís, na capital maranhense, Salles falou da preocupação do governo federal na retirada do óleo de forma correta, para que não houvesse vazamento e fez elogios ao Gabinete de Crise.

Na manhã desta sexta-feira (12) o Stellar Banner foi afundado, como já previsto, dando fim às operações e deixando a preocupação com os possíveis futuros danos ambientais.

As informações financeiras não foram disponibilizadas deixando em dúvida como tais operações foram feitas. Não se sabe ao certo quem financiou as operações, nem tampouco se houve envolvimento de algum órgão público nas despesas financeiras.

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