Causador do acidente à esquerda; vítimas à direita

Após um ano do trágico acidente que matou cinco pessoas no bairro Jaracaty, em São Luís, o caso segue tramitando na Justiça do Maranhão e sem previsão para um julgamento. O acidente aconteceu em 8 de setembro de 2019.

O motorista que causou o acidente, Victor Yan Barros de Araújo, responde ao processo em liberdade. Ele é acusado de homicídio doloso, principalmente porque policiais constataram sinais de embriaguez no momento do acidente. A defesa tenta provar que ele não havia consumido bebida alcoólica na noite do acidente.

No dia 22 de junho, a Justiça concedeu a permissão para Victor retirar a tornozeleira eletrônica quando realizar exames médicos. É o único momento em que o acusado é autorizado a retirar o aparelho, que é obrigado a usar desde o dia 20 de dezembro de 2019, quando conseguiu um alvará de soltura, após passar quase dois meses no Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

Victor Yan Barros de Araújo é acusado de ter causado o acidente

Espera por justiça

Há 12 meses, as famílias das cinco vítimas do acidente vivem uma busca incessante por justiça. Com a pandemia de Covid-19, o processo que tramitava na justiça precisou ser parado, o que causou revolta para aqueles que esperam um desfecho para o caso.

Quando foi atingido pelo impacto da batida, Henrique Durans, uma das vítimas do acidente, teve o corpo arremessado a quase 30 metros do local onde estava sentado com amigos e familiares, celebrando um aniversário no bairro Jaracaty. Na época, ele tinha 37 anos e deixou dois filhos.

Ainda de luto, a família de Henrique lida com saudade diária e tenta aceitar a partida trágica dele, que era conhecido pela humildade, bom humor e por ser um ‘super pai’ para seus dois filhos, hoje com 8 e 14 anos.

“É uma coisa que a gente ainda não aceita. Ele [Henrique] era um pai amável, ele era louco pelos filhos dele, todos os dias ele tinha que dar um beijo nos filhos dele, era muito carinhoso. Ele sempre lutou para dar uma vida digna para os filhos dele, uma educação de qualidade”, relembra Marcos Durans, pai de Henrique.

Marcos Durans explica que desde o início do processo, inúmeras manifestações foram feitas com o intuito de chamar atenção das autoridades e dar mais celeridade ao processo. Mesmo revoltado com a situação, ele afirma que ainda tem esperança de ver o acusado condenado e vê isso como a única forma de amenizar a dor e o sofrimento causado nas famílias.

“A gente como família vai continuar lutando. O tempo não vai fazer com que a gente esqueça. A dor é muito grande e a cada dia só aumenta o sofrimento. Eu sinto que cada dia eu estou morrendo aos poucos, a injustiça machuca muito e a saudade é muito forte”, disse Marcos.

Henrique Durans Neto tinha 37 anos e 2 filhos

Relembre o caso

Em 8 de setembro de 2019, o carro que era guiado por Victor Yan Barros de Araújo se envolveu em um acidente na Avenida Carlos Cunha no bairro Jaracaty, em São Luís. De acordo com a polícia, o veículo colidiu após ele ter perdido o controle e capotado em uma área residencial do bairro.

Testemunhas contestaram a versão e afirmam que Victor dirigia em alta velocidade. Cinco pessoas morreram por conta do acidente. Dentre os mortos, duas estavam no carro que era guiado por Victor Yan. As outras três vítimas estavam em uma festa de aniversário que estava sendo realizada na área residencial do bairro Jaracaty.

As vítimas foram:

  • Carla Correa Diniz, agente penitenciária que deixou dois filhos;
  • Thiana Alves Correa, prima de Carla;
  • Henrique Martins Durans Neto, morador do Jaracaty;
  • Maurício Andrey Soares, que estava no banco do carona do veículo envolvido no acidente;
  • Ana Lourdes, passageira do veículo envolvido no acidente.

Após a reivindicação de moradores do bairro Jaracaty, a Prefeitura de São Luís começou a instalar barreiras no lateral da Avenida Carlos Cunha. A instalação estava sendo reivindicada há anos pelos moradores do bairro Jaracaty, que estavam preocupados com a ocorrência de acidentes no local.

Depois do acidente, Victor Yan chegou a ser hospitalizado, mas, ao sair, foi preso e levado ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Após quase dois meses, o motorista saiu da penitenciária ao conseguir um alvará de soltura para responder ao processo em liberdade usando tornozeleira eletrônica.

Uma das estratégias da defesa é provar que Victor Yan não estava embriagado enquanto o dirigia o carro e que o acidente teria sido uma fatalidade. A versão está sendo constatada pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA) que acusa o motorista de homicídio doloso, quando há intenção de matar.

Além disso, em dezembro de 2019, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (SEAP) começou uma investigação para apurar a entrada de um aparelho celular na cela onde Victor Yan estava preso. No aparelho foram encontradas mensagens do motorista com a namorada. A defesa alegou que o celular era usado pelo cliente e o companheiro de cela dele.

Colisão ocorreu após o condutor perder o controle do veículo no início da ponte Bandeira Tribuzzi

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