Presidente do TSE tem sido alvo de ataques de Jair Bolsonaro, que voltou a ameaçar a realização de eleições em conversa com apoiadores 


Mentira deliberada tem dono e precisa ser denunciada, diz presidente do TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, realizou uma palestra nesta quarta-feira (4) num seminário do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) sobre reforma política e eleitoral.

Sem citar o Brasil especificamente, o presidente do TSE afirmou que a “democracia está sob pressão” em vários países do mundo, mas que, nela, há espaço para todos: liberais, conservadores e progressistas.

“A alternância no poder é a grande característica da democracia. A possibilidade de que quem perde hoje verá respeitada regras do jogo pra disputar amanhã e tentar ganhar amanhã: é isso que é a democracia. Uma das vertentes do autoritarismo contemporâneo é o discurso de que ‘se eu perder houve fraude’, que é a inaceitação do outro. A inaceitação de que alguém diferente de mim possa ganhar as eleições”.

Ainda em sua dissertação sobre a erosão democrática no mundo, Barroso afirmou.

“Todo o mundo também, não só o Brasil, procura equacionar o problema da desinformação, do ódio, da mentira e das teorias conspiratórias em que nós temos os radicais que se beneficiam com isso, com ideologias extremistas; nós temos os mercenários, que recebem dinheiro e monetizam o seu radicalismo; e nós temos aqueles que não sabem o que estão fazendo e seguem o caminho. Estes nós precisamos conquistar”, opinou.

Voto impresso

O presidente do TSE também voltou a defender a segurança da urna eletrônica. “O sistema eleitoral eletrônico brasileiro, em 25 anos, nunca apresentou um caso sequer comprovado de fraude”.

Em tom de anedota, Barroso contou que ouviu de um interlocutor americano a sugestão para que o Brasil adotasse o voto à distância. Ao levar em conta a realidade brasileira, o ministro ironizou.

“Um professor me perguntou: por que na pandemia vocês não fazem o voto pelo Correio? Eu disse: olha, infelizmente, porque vão assaltar o carteiro e encher o malote dele de voto falso. Ele disse: isso, aqui (nos EUA) não aconteceria porque se fizer isso é crime federal, o sujeito vai preso imediatamente. Eu disse: sorte de vocês porque no Brasil um sujeito desvia R$ 70 milhões e a gente não consegue prender.’

“Portanto, cada país tem suas circunstâncias”, concluiu.

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