Com alta dos preços, redução do auxílio emergencial e desemprego elevado, brasileiros têm dificuldades para comprar alimentos; cesta básica de julho em custou mais que a metade do valor do salário mínimo atual.

Inflação explode para os pobres e desigualdade bate recorde no país

Pesquisa realizada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta que a proporção entre o valor da cesta básica e do salário mínimo em julho foi de 58%. Ou seja, uma cesta custou em julho mais que a metade do valor do salário mínimo atual, de R$ 1.100 

Segundo Patrícia Costa, economista sênior do Dieese, itens básicos da alimentação estão mais pesados no orçamento do brasileiro desde o final do ano passado por diversos fatores. O principal foi a inflação.

Inflação segue acelerando

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – a inflação oficial do país – acelerou a alta para 0,96% em julho, após ter registrado taxa de 0,53% em junho.  A desvalorização do câmbio também contribuiu. 

Com as incertezas do país, os produtores optaram por exportar os alimentos, no lugar de vender para o mercado interno — aumentando o preço aos consumidores locais.

O Auxílio Emergencial 2021 passou a variar de R$ 150 a R$ 375, de acordo com a composição de cada família. Em 2002, era de R$ 300 a R$ 600.

O desemprego também não deu trégua: ficou em 14,7% no trimestre encerrado em abril e se manteve em patamar recorde, com 14,8, milhões de pessoas.

Com a assistência financeira menor e inflação maior, brasileiros sem trabalho por conta da crise perderam o poder de compra para a própria subsistência.

Inflação maior para os mais pobres

Os Índices de Preços ao Consumidor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV mostram o peso da alimentação entre os mais pobres de forma estatística. A inflação em 12 meses é maior para famílias com renda per capita de até 2,5 salários mínimos (IPC-C1) do que para as que têm renda per capita de até 33 salários mínimos (IPC-DI).

Isso significa a alta de preços dos alimentos têm um peso maior para famílias que recebem até R$ 2.750, explicou Matheus Peçanha, economista da FGV.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui